sábado, 10 de abril de 2010

O mais belo Suicídio

A Thata já escreveu sobre o mais belo suicídio do mundo, e sua história aqui.
A Evelyn, além de haver nos presenteado com sua beleza e serenidade na morte, é um símbolo da concepção contemporânea de desejo.
O conceito foi trabalhado por Freud, e milésimas vezes simplificado, fala que desejamos as coisas em função de uma vontade de ter que não pode ser suprida.
Desejar e querer parecem a mesma coisa, mas não são. Querer tem relação com a racionalidade, e é um sentimento controlável. O desejo, por outro lado, totalmente irracional e incontrolável, tem relação com tudo aquilo em nós que desconhecemos. Quando eu desejo não sei por que. Não sei quanto tempo desejarei e não consigo parar de desejar quando eu quero. Eu não tenho o que desejo; e ainda assim eu quero.
Evelyn é o símbolo deste pensamento em sua potência máxima. Não se ter o que deseja para nós hoje, gera um sofrimento tão grande e às vezes tão inaceitável e tão pertubador que nos vemos obrigados a mudar rapidamente o foco do nosso desejo, na tentativa de eliminá-lo.
A má notícia é que ele não é eliminável enquanto existirmos.
E a boa notícia é que este desejo insaciável dos homens é justamente o vapor da máquina. Ele nos move, para frente ou para cima, como quiserem...mas nunca para trás nem para os lados.
Evelyn, em sua mocidade moderna representa nós mesmos, diariamente desejando e matando este desejo, em função do fluxo de informações que processamos na vida contemporânea. Embora represente a morte, também representa o fim da angústia.
Enfim, só quando morremos é que paramos de desejar. E lidar com esta angústia é então, o nosso trabalho no mundo hoje e é o suicídio diário do querer.

2 comentários:

Lia Lee disse...

sim, concordo... e digo mais: deixamos de desejar se deixamos de viver e deixamos de viver se deixamos de desejar...

André Henriques disse...

A morte é um farsa... e vocês que me contaram por livro isso... hehehehehe